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Quem (não) sou

De difícil compreensão. Com alguns medos. Com vontade de vencer. Ideais bem definidos. Futuro incerto. Presente feliz. Metafísica e abstracta. Que ama e é amada. Viciada em música, em livros e em política.

Quem (não) sou

De difícil compreensão. Com alguns medos. Com vontade de vencer. Ideais bem definidos. Futuro incerto. Presente feliz. Metafísica e abstracta. Que ama e é amada. Viciada em música, em livros e em política.

O vil metal

«O dinheiro é apenas isso: dinheiro.» Disseste-me isto entre um sorriso e um leve toque no cabelo.

Acenei afirmativamente ao mesmo tempo em que sentia uma repulsa intelectual e emocional por ti. Deves viver numa sociedade diferente da minha: não capitalista. Provavelmente, num local em que o dinheiro não é Deus materializado, talvez vivas num sítio em que o vil metal assume boas características e qualidades espantosas.

É que aqui onde eu vivo o dinheiro não é apenas dinheiro. É fruta, seja ou não biológica; é pão, de centeio, cereais ou branco; é massa, integral ou refinada; é luz; é água; é autocarros ou carros; é roupa; é ainda roupa lavada: é tudo ou nada.

É a diferença entre ter ou não dignidade. Não lhe dares valor porque nunca soubeste o que era não o ter é que é só (e apenas) indignificante da tua condição humana. É mostrar que ainda estamos muito longe de algum dia definir o que isto de se ser humano. Se nos basta ter pés, mãos, braços, e andar a dois pés para nos podermos considerar seres humanos.

Vivemos numa sociedad estratificada em classes. E assim é desde que Marx o escreveu no século XIX. E assim tem continuado a ser. E receio, assim o continuará a ser no futuro.

 

                                                              4/10/2016